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De pé sobre o natural
 
Pisar sobre a madeira dá a sensação de retorno às origens, de contato com a natureza. Só isso já bastaria para explicar o sucesso dos deques na área externa, sobretudo quando se trata dos espaços para o lazer privado (mas ao ar livre), refúgios do homem urbano atual. Mas outras características como a boa relação custo x benefício, a resistência e a facilidade de manutenção aumentam ainda mais a lista de respostas prontas para serem recitadas diantes da pergunta: "Por que escolher um deque?"

Outro bom motivo: trata-se de uum piso permeável e, por essa razão, ecologicamente correto. Por ele, a água escoa em direção ao solo, ao contrário da cerâmica, por exemplo, que impermiabiliza a terra e ajuda, dessa forma, a agravar problemas como enchentes nas grandes cidades.

Deques são herança da indústria naval para a construção civil. As réguas de madeira instaladas lado a lado foram usadas primeiro na confecção do piso de embarcações. Pouco a pouco, a idéia apontou nas cidades e passou a fazer parte do repertório de possibilidades na construção de casas. Métodos construtivos variado têm, em comum, a característica de ser relativamente simples.
As réguas encontradas no mercado têm, em geral, 7, 10, 12 ou 14 centímetros de largura e cantos arrendondados, mas outras medidas podem ser feitas sob encomenda. Elas devem ser instaladas com intervalos de 2 milímetros a 2 centímetros. Outra regra geral é deixar um vão, mesmo que milimétrico, entre o contrapiso e a madeira para permitir a ventilação e evitar que as tábuas 
empenem. Vãos grandes pedem que seja previsto um alçapão para limpeza, desnecessário se o deque for modular, com possibilidade de remoção dos quadros.
 

Relaxamento em um espaço ZEN, que inspira calma e meditação. Com essa proposta, a arquiteta Rose Chaves criou essa área de spa, com decoração pincelada por elementos orientais. 
No solarium, parte que fica ao ar livre, as réguas de ipê do deque unem-se à cerâmica da Roca - garantem, assim, o 
aspecto contemporâneo do conjunto, reforçado pelos móveis brancos de inspiração minimalista. 
Madeira e tons de terra predominam no spa, que conta com hidromassem e futon. A cobertura de policarbonato deixa passar luz natural.
 
A montagem diretamente sobre o solo é feita com réguas pregadas ou parafusadas em barrotes (espécie de bloquetos colocados a cada 50 cm), sob as quais se coloca material que favoreça o escoamento, como brita.

Os pregos e parafusos costumam ser escondidos por cavilhas, que melhoram o acabamento e evitam que o metal esquente com o sol e provoque acidentes.
Outra opção é montar sobre estrutura de madeira suspensa, formada por ripas, como se fosse um estrado de colchão - o que pode ser feito a qualquer altura.

Lajes e pisos preexistentes de cerâmica, lajotas e pedras podem ser parcial ou integralmente cobertos por um deque. Paginações possíveis? Paralela, meia esquadria (formando quinas), diagonal e xadrez são algumas possibilidades. "Mas, é preciso lembrar que é um piso vazado. Portanto, pensar da drenagem abaixo dele é fundamental", ressalva a arquiteta Andrea Gonzaga.

A liberdade que os deques dão aos arquitetos e decoradores é um dos atributos elogiados pelos profissionais. Esse tipo de piso serve como base para diferentes estilos decorativos - além de ser muito resistente, o que permite sua colocação em áreas de bastante tráfego de pessoas. Um simples clima de fazenda pede bancos de madeira e redes; o de praia e ressaltado por móveis e acessórios de fibras naturais.

Ambientes temáticos como um jardim oriental e um gazebo balinês ou ainda uma varanda minimalista com móveis de linhas retas e peças de design são idéias que cabem sobre um deque.

Com 8 m² de área, o pequeno deque (Bella Telha), projetado pela designer de interiores Marli Assis, deu outro uso ao terraço do apartamento de cobertura.

Junto com a piscina revestida em mosaico de pastilhas, a estrutura de madeira conferiu clima de jardim, onde é possível deitar para tomar sol, descansar nos degraus curvos que também fazem papel de bancos ou observar, do alto, a paisagem da cidade.

Contemporâneo, o deque conta com cachepôs embutidos, os que dá a impressão de que as folhagens brotam do chão.
 
Embora a cor natural da madeira seja o acabamento mais procurado, é possível pintar as tábuas com tintas esmalte ou óleo. O verniz marítimo realça os veios; já o pigmentado simula a cor de outras espécies de madeira não adequadas à construção de deques, como imbuia, cerejeira, mogno, cedro e nogueira. Quando exposto ao sol e a chuva, o acabamento preferido pelos profissionais é o stain, produto à base de água que hidrata a madeira, tem filtro solar e dispensa a lixa na hora da manutenção. "Independente do 
acabamento, todo o deque tende a escurecer com o tempo, devido à oxidação da madeira", ressalva Décio Ivan.
É justamente essa característica que encanta. A arquiteta Beth Haddad, que tem um deque de ipê no jardim abriu mão de qualquer acabamento. "Com o tempo, o ipê adquire um tom acinzentado, fica lindo", diz.

Cumaru, itaúba, jatobá, garapeira e pinus tratados são outras opções de madeiras duras, resistentes às intempéries e ao ataque de fungos e cupins.

Bem escolhido e montado, o deque dura de 30 a 40 anos, o que torna atraente inclusive do ponto de vista financeiro: o metro quadrado instalado custa, em média, R$ 250,00. Os cuidados diários são dos mais simples: água e sabão para lavar, sem produtos abrasivos que manchem as tábuas, são suficientes. De resto, é tirar os sapatos e sentir na pele o contato com o calor da madeira.